sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Maria concebeu por obra e graça do Espírito Santo


«Fides quaerit intellectum». Isto é latim que se traduz assim: a fé procura o intelecto.
O que eu vou escrever pretende mostrar como a partir do ser humano poderemos receber luz sobre o que vem do Alto. O que digo não pode surpreender porque fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, isto é, à essência de Deus.
Então vamos lá tentar.
Nós não somos só carne. Somos carne e espírito. Este compete com a matéria, no tema em foco, a carne.
Tomemos o caso de duas mulheres. Uma quer o que concebe; outra concebe contra o que quer. Ainda que as duas concebam, a acção da primeira é perfeita e a da segunda imperfeita. Na realidade, face à primeira mulher, a geração é verdadeiramente humana; no da segunda estamos perante uma acção desespiritualizada de um ser humano. E porquê? Porque neste último caso não concorreu a vontade.
Mas se um acto generativo humano é perfeito, vale dizer, se o comanda a vontade, ascende ao Espírito Santo, teologicamente a Vontade como nos explica, insistentemente, Santo Agostinho no De Trinitate.
Portanto, em todo o acto generativo perfeito, a concepção está sob a égide do Espírito Santo, terceira Pessoa do Deus Uno e Trino.
No Evangelho, Maria é a cheia de graça (gratia plena), o que significa cheia do mais elevado amor espiritual, pelo que, a fortiori, seu acto generativo foi uma acção humana perfeita.
Jesus Cristo apresenta-se como o Filho do Homem porque filho de Maria, representação da humanidade numa aliança sobrenatural entre o Verbo e o género humano.
Na reflexão sobre estes problemas que se ligam à nossa salvação, o erro terrível que não poucos cometem é o de separar Deus dos homens, apoucando nestes a grandeza infinita do Criador.

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