sábado, 3 de setembro de 2016

Vale de Mouros





Todos os alcochetanos sabem que nas Hortas há uma quinta cujo nome é Vale de Mouros.
Tenho para mim que este tipo de topónimos não nasce sem causas.
Na verdade, segundo o princípio da razão suficiente de Leibniz, tudo o que acontece tem uma razão suficiente para ser como é e não de outra forma.
Em minha ajuda vem Dias, Mário Balseiro, Monografia do Concelho de Alcochete (Séculos XII-XVI), Edição do Autor, Montijo, 2004, quando diz: «[...] aos muçulmanos vencidos se destinaram áreas extra-muros dos aglomerados urbanos para residência, a fim de não poderem comunicar com os cristãos» sic.
Vale de Mouros seria uma dessas áreas extra-muros... um gueto onde os mouros de Alcochete ficaram confinados ao amanho da terra, após a queda dos castelos de Lisboa e Palmela.
Ora é aqui que surgem as perguntas para as quais este texto converge: os mouros atirados para fora do burgo não teriam deixado neste a mesquita? Será possível conceber uma comunidade maometana do séc. XII sem a respectiva mesquita?
À primeira pergunta respondo sim e à segunda não.

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Manuel, o problema é que na minha terra, por razões que, graças a Deus, sei com a máxima clareza, tenta-se apagar a ideia de que Portugal ergueu-se na refrega contra os mouros.
      Alcochete teria sido fundada pelos romanos.
      Em abono desta tese invoca-se um estaleiro do mundo antigo, aqui no concelho, onde foi encontrada uma montanha de ânforas romanas terminadas em bico.
      Assim se passa por cima da Idade Média como se esta não tivesse existido, fazendo o poder local com este ponto de vista jus ao marxismo cultural.
      Ora todo o meu afã é desmistificar esta reescrita da História que nesta minha terra de Alcochete está a apanhar as melhores ovelhas.

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