sexta-feira, 3 de junho de 2016

Secas do bacalhau, mentiras e omissões

O jornal INalcochete, na última página, num texto que deixa a desejar quanto às linhas mínimas de cientificidade, fala das secas do bacalhau.
Como de costume, eu estaria nas tintas para a fragilidade da escrita, se a dado passo não se escrevesse o seguinte: «Nas secas trabalhavam poucas mulheres do concelho de Alcochete por ser um trabalho muito pesado e mal remunerado».
Em primeiro lugar, questiono-me se estas palavras deixam bem colocadas as mulheres em geral; em segundo, afirmo que as ditas palavras não correspondem à verdade.           
De facto, para os alcochetanos, à época, era uma vergonha ter a mulher a trabalhar. Ainda na década de sessenta, quando se perguntava em Alcochete a uma mulher o que fazia, ela respondia: «o meu marido trabalha na Firestone». Portanto, é no âmbito patriarcal que este problema se deve enquadrar.
Embora se diga que as mulheres do norte «...contribuíram para mudar a demografia do concelho», não se esclarece que havia uma grande porção de casamentos endógenos em Alcochete, concorrendo murtoseiras, gafanhotas, viseenses, etc., para alterar beneficamente a referida situação.
Em conclusão, o que eu denuncio é o politicamente correcto da Câmara de Alcochete, postura que considero crime à memória dos alcochetanos.

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