segunda-feira, 9 de maio de 2016

Toiros, Açores e Liga Portuguesa contra o Cancro

«Caro Senhor Presidente da Direcção Nacional da Liga Portuguesa contra o Cancro

Queria mostrar-lhe o quanto me desagrada a posição que tomou - abusivamente - nas chamadas redes sociais, em nome da associação a que preside, numa atitude leviana e prepotente, alcandorado no cargo que agora ocupa. Digo-o, na qualidade de marido castigado pelo sofrimento da mulher, a quem foi detectada uma doença oncológica, contribuinte em todos os peditórios nacionais efectuados por essa instituição e, também, na entrega anual de 0,5% do seu IRS.
O seu gosto, ou não, pelas corridas de touros é coisa que não interessa a ninguém, a não ser ao senhor e, hipoteticamente, a quem consegue suportar o seu convívio. Mostrá-lo publicamente, em nome de uma instituição respeitadíssima, não é mais que querer protagonizar algo que, de outra maneira, não passaria de uma profunda insignificância. É que muito maior que o senhor é a Liga Portuguesa contra o Cancro! Mas isso o senhor não percebe, confundindo-a com os seus associados; A Liga é, igualmente, de todos aqueles que a ajudam, de todos aqueles que, doentes, necessitam da sua prestimosa colaboração, daqueles que admiram o incansável esforço que, ao longo de 75 anos, vem desencadeando. O senhor obriga a Liga a cuspir no prato onde (durante todos estes anos) comeu. Rejeita o que lhe é oferecido.
É evidente, que a Liga vai continuar por muitos mais anos, mesmo que tenha de suportar esta Direcção Nacional impertinente, desbocada e metediça, porque julga interpretar o gosto de uns bons milhares de cidadãos, arvorando-se em defensora do que não sabe, desconhece e não lhe diz respeito. Perde, assim, o seu precioso tempo em rejeições patéticas, devendo cuidar daquilo que a Liga lhe solicita: tornar menos amargo o sofrimento dos doentes oncológicos deste país.
O senhor e os seus amigos da Direcção Nacional têm a obrigação de saber que a dor de um ser humano é, pela essência do sujeito, não comparável com a dor de um animal.
Não aceito o vosso pedido de desculpas no facebook; não é por ser aficionado à Festa dos Toiros, mas tão-somente porque vem carregado de hipocrisia e prepotência. Os epítetos com que insultam a Direcção do Núcleo Regional dos Açores assentam-lhe, a si e aos seus companheiros de Direcção, que nem uma luva: a actual Direcção da Liga tem uma postura insólita, anormal, como organização, é descuidada porque confunde os seus princípios, é desatenta porque deve andar a pensar na morte da bezerra e necessitada de uma profunda remodelação.
Enquanto o senhor e os seus amigos estiverem na Direcção - e irei lembrar-me do seu nome, senhor Vítor Veloso - nem mais um cêntimo receberão da minha parte.
Creia-me profundamente farpeado pela posição inusitada e despropositada que tomaram.
José Francisco Caninhas
Professor do Ensino Secundário».

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