quarta-feira, 3 de junho de 2015

Escuteirinhos e Banco Alimentar contra a Fome

No Sábado passado fui cercado à entrada do Intermarché por algumas crianças, cada uma com um saco na mão dirigido a mim.
Felizmente, os pequenos escuteiros estavam, desta vez, orientados pela Dr.ª Margarida Chagas a quem me dirigi e perguntei se pôr uma criança a pedir géneros alimentícios à entrada de uma superfície comercial não seria uma forma de coagir o potencial dador, uma vez que a este poder-lhe-ia custar dizer não a uma criança.
A escuteira de sempre respondeu-me que a criança também tinha que aprender a ouvir não para fazer a aplicação desta palavrinha sempre que se justificasse ao longo da vida.
Consciente, como estou, de que a coragem de dizer não é, hoje em dia, uma atitude salvadora, baixei as orelhas, pedi o saco a uma das crianças e segui o meu caminho, embora sem todas as dúvidas desfeitas.
Quando cheguei a casa, fiz uma ronda pelos jornais electrónicos e vi, quero dizer, li e depois vi que o Banco Alimentar contra a Fome está feito com as tretas do ambientalismo, esperando eu ardentemente que não esteja feito com o Estado... porque se estiver... estamos perante uma tremenda contradição, isto é, perante a negação do conceito de esmola que no seu sentido mais profundo é luta a favor da liberdade contra o Baal opressor.
Se eu tenho uma ponta de razão, não estamos a ensinar as crianças a dizer não, mas estamos, subrepticiamente, a ensiná-las a dizer sim ao sistema injusto dentro do qual estamos imersos.

O Banco Alimentar contra a Fome não é uma organização da liberdade porque faz jus às tretas do ambientalismo impostas aos governos e aos povos pelos poderosos e porque obtém subsídios junto do Estado e das autarquias, assim se concluindo que todos os contribuintes portugueses pagam para o referido Banco Alimentar... e uma segunda vez quando são dadores de uma garrafa de azeite à mesma organização.
Em conclusão, há uma contradição insanável na práxis do Banco Alimentar contra a Fome que casa o Estado com a caridade, quando esta é a grande barreira que se ergue à progressão avassaladora daquele.

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