terça-feira, 12 de maio de 2015

O cacique alcochetano

O cacique alcochetano é sui generis.
No geral, relativamente às habilitações literárias, o cacique alcochetano não chega a ter correspondência, em termos etários, ao actual 9º ano de escolaridade.
Excepcionalmente, poderemos descobrir nele um antigo curso industrial, comercial ou liceal de que até o cacique faz gala porque é esperto e espera que um fato e gravata mande às urtigas o canudo da melhor universidade.
O cacique alcochetano não sabe o que é a política, não consegue dar provas da verdadeira distinção entre direita e esquerda, diz a cada um o que sabe que cada um quer ouvir... Nem podia ser de outra maneira porque o cacique alcochetano nunca teve projecto para a sua própria vida quanto mais para a vida de uma comunidade.
Ei-lo a descer esta ou aquela rua. É todo sorrisos. Os olhos brilham-lhe. Fala para a direita e para a esquerda...a este e àquele. Mas agora parou a marcha ao dobrar uma esquina: duas senhoras passam-lhe pelas goelas com espalhafatosas beijocas.
No sítio certo o cacique alcochetano tem comparsas. Quando chegar a hora H, falarão por ele e dirão que o homem é bom para ganhar votos. Os que ouvem isto, bem no fundo querem dizer NÃO, mas acobardam-se e o cacique fica à cabeça da lista.
Um conterrâneo passa pelo cacique, abana a cabeça e diz-lhe:
-Não tens vergonha nenhuma!...
E o gajo responde:
-Não sabes que és maluco, pá?!...Não sabes que és maluco?!...
E pronto: a vitória será certa.



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