sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Religião e História

A partir de 1299 boa parte do sudeste europeu é tomado pelo Império Otomano. Esta situação, com altos e baixos, manter-se-ia até 1922. No interim, o Islão foi progredindo sobre o cristianismo ortodoxo da maioria desses povos: macedónios, romenos, búlgaros, sérvios, bósnios...
Se exceptuarmos a ortodoxia grega e pouco mais, o cristianismo ortodoxo conviveu com a religião muçulmana, partilhando fatias consideráveis dos seus fiéis aos conquistadores ao ponto de, por exemplo, no caso da Bósnia, a maior parte da população passar para o Islão.
Ainda o cadáver do Império Otomano estava quente na tumba, quando estes povos sem tugir nem mugir - passe a hipérbole - são submetidos pelo totalitarismo comunista.
O pontapé de saída para a liberdade foi dado a norte, pela Polónia, um país de maioria católica.
Surge, então, neste discurso, o momento da grande pergunta: por que é que isto é assim? Porque calhou? Não vá nisso, caro amigo, porque as coisas são mais complexas. Mas também é a partir daqui que tu que me lês vais munir-te de alguma disponibilidade intelectual para me acompanhares.
Desde o começo que o Catolicismo defende a Trindade, o Deus uno e trino: Pai (Capacidade, Potência, Memória); Filho (actividade, inteligência, Saber); Espírito Santo (Amor, Vontade).
Para o Catolicismo, claramente desde meados desta nossa Civilização de dois mil anos, o Espírito Santo procede do Pai e do Filho (...ex Patre Filioque procedit), mas nisto não foram os cristãos do Império Bizantino. Para estes, o Espírito Santo procede só do Pai.
Vê-se, sem ser precisa muita perspicácia, que os cristãos a oriente são mais pelo patriarcado do que os do ocidente. Por outras palavras, na sociedade o que conta é a vontade do Príncipe (o poder) e na família é a do pai.
Ora todos percebem bem que esta estrutura patriarcal faz ponte com o Islamismo e cria condições favoráveis para as mentalidades não se crisparem muito com regimes autoritários.
Houve regimes autoritários em países europeus de maioria católica (Portugal, Espanha, Itália...) mas é preciso saber que o fim do fascismo era combater o comunismo. Quando, pela História, esse combate foi ultrapassado, os fascismos cederam o lugar às democracias.

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