sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A polémica das imagens de N.ª Senhora em Alcochete

Há meses que ando a pensar se me devo meter nesta polémica ou não.
O problema circunscreve-se ao facto de o Prior da paróquia de Alcochete, Padre Ramiro, não concordar com a saída das duas imagens de N.ª Senhora da Conceição (Concepção) e da Vida na procissão do dia religioso em boa hora integrado nas Festas do Barrete Verde e das Salinas.
Segundo todos, o Padre Ramiro alega que "Nossa Senhora é só uma", razão por que, na óptica do pároco, só deve sair uma das imagens de N.ª Senhora na procissão.
Que Nossa Senhora é só uma sabe-o todo o cristão desde a mais tenra idade, sendo que, nada mais sendo dito, a alegação do Padre Ramiro não só afecta o respeito pela inteligência do outro como não convence ninguém.
O respeito pela religiosidade popular, que até inimigos do Catolicismo defendem, é um dos pilares da doutrina da Igreja porque assim mandam as boas políticas a favor da coesão das populações.
Portanto, o que o Padre Ramiro tem levantado nesta terra de Alcochete é um conflito vão, esquecendo o que o Papa Francisco diz na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho): a unidade prevalece sobre o conflito.
Como separar Maria do vínculo com o Espírito Santo? Como separar o Espírito Santo da Vida? E como separar a Vida da Concepção?
Perante o que acabei de dizer no parágrafo imediatamente anterior, dou de barato que no encontro das duas representações do feminino à entrada da ponte-cais se veja descaminhos deste nosso tempo conturbado. Não foi isto que abriu a vereda da tradição local, antiga de séculos, senão o mais lídimo Espírito do Evangelho que é o Espírito de Cristo.

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