domingo, 22 de junho de 2014

Última pega de touros em Alcochete do Cabo de Forcados António Manuel Cardoso

Ontem, 21 de Junho de 2014, na corrida de toiros que se seguiu à reposição da estátua de Hélder Antoño, roubada em Abril passado, sucedeu algo, aparentemente insólito, que merece ser contemplado nos registos da tauromaquia alcochetana.
Foi quando chegou o momento da pega ao 2.º toiro, antes toureado pelo cavaleiro Gilberto Filipe, vendo eu e centenas de pessoas saltar para a arena o Grupo de Forcados Amadores de Alcochete com o antigo Cabo de Forcados à frente, o António Manuel Cardoso que todos conhecem simplesmente por Nené.
Eu não queria acreditar no que os meus próprios olhos viam, ficando muito apreensivo face ao desfecho da situação.
As coisas não haveriam de correr bem para o Nené, embora eu pense que percebo minimamente o que o fez correr.
Nené quis dizer-nos que estava disposto a arrostar todos os energúmenos que agem contra os símbolos da Festa Brava como ele ali arrostaria aquele toiro bravo e preto.
Lembrei-me logo da última corrida de touros em Salvaterra que Rebelo da Silva nos relata nalgumas das mais belas páginas da nossa Literatura.
O Marquês de Marialva, pai do 7.º Conde dos Arcos vítima duma colhida fatal, salta para a arena, enfrenta o toiro e vinga a morte do filho de espada na mão...enquanto que Nené fê-lo de mãos nuas.
Para mim, o acto de grande nobreza de António Manuel Cardoso, homem da minha geração, perdurará na memória de todos os alcochetanos enquanto durar a Festa Brava. 

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