sábado, 24 de agosto de 2013

O poder para fazer casa

Faz algum sentido que alguém queira o poder para fazer casa, quero dizer, para enriquecer e angariar património? Isto é passado, mas está de tal forma enraizado no sangue dos candidatos ao poder que se lhes digo, olhos nos olhos, que não comungo dessa visão das coisas, tomam-me por parvo.
Eu cá fiz casa, tenho património, mas para tal conseguir não me passou outra coisa pela mente que não fosse pedir aos bancos dinheiro e ir pagando todos os meses o estipulado por essas instituições de crédito. Esta maneira de pensar, que outra nunca tive, obrigou-me a levar uma vida frugal que soube cruzar com a vida digna. Ora nem toda a gente é capaz, sabe e tem vontade para isto.
Não poucas vezes manifestei o desejo de pôr os meus conhecimentos ao serviço da terra que tive por berço, mas sempre essa pretensão foi repelida violentamente. Por quê? Porque eu não dava garantias a ninguém de poder pactuar com alguma coisa que não fosse o estrito serviço das populações. Por outras palavras: eu não era elemento confiável para os que se queriam servir do poder para se servirem a eles.
Esta é a razão por que eu penso que nunca cheguei a ser poder nesta minha terra de Alcochete.



















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