terça-feira, 11 de junho de 2013

Patriotismo e comunismo

O Guia de Eventos (este título é um verdadeiro ataque à verdadeira cultura) de Junho/2013 fala de uma visita por parte dos seniores ao Aqueduto das Águas Livres (Lisboa), obra subsidiada pelo rei absoluto D. João V, denegrido ao máximo pelo comunista assumido José Saramago em Memorial do Convento. Veja-se só como este texto é aberto pelo Nóbel da Literatura: «D. João, quinto do nome na tabela real, irá esta noite ao quarto de sua mulher, D. Maria Ana Josefa, que chegou há mais de dois anos da Áustria para dar infantes à coroa portuguesa e até hoje ainda não emprenhou.» sic (Saramago, José, Memorial do Convento, Círculo de Leitores, Lisboa, 1984).
Em Memorial do Convento não só o reinado de D. João V, mas toda a História de Portugal é ridicularizada insanamente. E por quê? Porque o culto do patriotismo, inseparável do sentimento nacionalista, é um sério travão ao comunismo internacionalista: «Proletários de todos os países, uni-vos!» (Marx, Karl e Engels, Friedrich, O Manifesto Comunista, Padrões Culturais Editora, Lisboa, 2009).
Eis por que, desde o 25 de Abril, a legislação socializante para todos os sectores em geral, sem, obviamente, excluir o ensino, reduz a História de Portugal quase a nada. 
Faça-se a pergunta mais elementar aos jovens sobre a nossa História e ver-se-á que eles não respondem com um mínimo de propriedade. 
Justificar-se-ia, portanto, que fossem, preferivelmente ou também, os mais novos a visitar o Aqueduto das Águas Livres em vez de ficarem no ateliê a desconstruir provérbios, isto é, a desconstruir a sã cultura popular. Poucos vêem nisto um perigo enorme para o nossa liberdade. Mas é mesmo esta que se visa restringir...não soubessem todos os Saramagos da nossa praça que «...paradoxalmente, é este o resultado final a que conduz o absolutismo político: a garantia da liberdade humana...» (Bobbio:1983). Mas não interessa abrir uma portinha para que os jovens venham a receber esta lição.
E por que razão vemos os dirigentes do PCP a falar numa política patriótica...num governo patriótico? Porque, para o comunismo, se aqui e agora (hic et nunc) o patriotismo serve a revolução...que se agarre nele e..."avante, camaradas!".
Já perceberam por que a Divisão de Educação da Câmara comunista de Alcochete leva a terceira idade de visita a um dos monumentos mais emblemáticos da cidade de Lisboa deixado pelo absolutismo régio? Para dar uma de patriotismo e tudo ficar pior.

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